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Archive for julho \22\UTC 2017

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Um belo dia estamos a caminhar ao lado do nosso cachorro e ele, inexplicavelmente, nos crava os dentes. A dor física é imensa, mas a dor emocional é ainda maior. Que outro cachorro nos mordesse, vá lá, mas o nosso próprio cachorro?!

Metáforas à parte, dói demais ser machucado por quem acreditávamos ser de confiança. Dói demais ouvir ofensas de alguém a quem confiamos segredos e dedicamos tempo, carinho e cuidado.

Dói demais ouvir tudo o que contamos em completa confiança ser usado contra nós, ser atirado em nossa cara sem dó nem piedade. Dói ver planos roubados. Dói notar que nos enganados redondamente em relação a uma pessoa.

A dor de uma mordida assim é gritante. Junto dela vem um monte de sensações tristes e, diferente de como nos portamos em relação àqueles que mal conhecemos, quando a mordida vem de alguém próximo, a gente se culpa, se deixa abater e fica meio passado mesmo.

Ah, mas se pararmos para pensar a pessoa que nos pegou de surpresa já tinha dado indícios de que poderia morder doído. Ela já tinha feito um comentário maldoso. Já tinha um histórico o qual resolvemos ignorar. Ela já tinha mentido antes. Ah sim, a gente quase sempre na ânsia de encaixar alguém em um lugar especial acaba enfiando os pés pelas mãos mesmo.

Acontece para quem está vivo. Felizmente a gente se regenera. A gente chora, grita, se descabela, mas a dor passa e como passa.

Um dia a gente olha a marca da mordida, já quase indelével, e percebe que a gente é muito maior que ela. A gente entende que aquela marquinha ali nos ensinou muito sobre a vida, sobre as pessoas e sobre nós mesmos. Que ela abriu os nossos olhos para a importância dos detalhes. Para a atenção às entrelinhas.

A gente aprende, então, a distinguir cão que morde de cão que não morde e continua amando, continua acreditando, continua seguindo em frente. Sim, essa é a nossa natureza. A gente nasceu para cativar e ser cativado, contudo as nossas experiências devem ser levadas em conta e os sinais sutis que nos dizem quem realmente as pessoas são, nunca devem ser ignorados.

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Atribuição da imagem: pexels.com – CC0 Public Domain

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– Ei, tem alguém sentado ao seu lado? Esse lugar está ocupado?

Então, você procura com os olhos aquela pessoa que disse que estaria ao seu lado, mas ela não está por perto. Ela está em algum outro lugar, bem distante de você. Ela está longe, mas insiste que você guarde um lugar para ela. Essa pessoa quer que você pense que ela está com você, mas ela não está.

Pessoas assim existem e são muito danosas. Elas tornam inviável a vida amorosa daqueles que acreditam em suas falsas intenções.

Não é incomum acontecer que, ao dizer que existe espaço para outra pessoa em sua vida, a tal criatura sumida, que pediu para você guardar o lugar, apareça e faça questão de mostrar que você está irremediavelmente ligado a ela. E, depois de ter feito você acreditar que vocês estão juntos, ela volta a sumir, mas sempre com a promessa de voltar.

Muitas vezes é bastante difícil fechar algumas portas, mas apenas assim é possível seguir em frente. Não permita que volte quem nunca quis ficar.

Olhe bem, preste atenção, certamente existe ao menos uma pessoa interessante querendo sentar ao seu lado, querendo te conhecer melhor. Desejosa em compartilhar da sua companhia, sedenta por tecer, com delicadeza, uma intimidade bonita e duradoura com você, mas isso nunca vai acontecer se as suas mãos permanecerem sobre o assento vazio. Se os seus olhos continuarem a buscar em algum outro canto alguém que efetivamente não está.

Levante suas mãos. Diga que o lugar aí do seu lado está livre. Permita-se ser feliz. Mas seja forte o suficiente para zelar por sua felicidade. Para impedir que a pessoa sumida apareça e mande aquele que realmente está ao seu lado para longe. Seja forte para dizer em alto e bom tom que você é livre para escolher. Que você cansou de esperar. Que você finalmente percebeu que merece mais.

Deslumbre-se com novos olhos. Deixe-se conquistar por outros sorrisos. Encante-se com o amor sincero. Permita-se o entrelaçar de mãos com quem é de verdade e não deixe voltar aquele que nunca realmente quis estar ao seu lado.

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Atribuição da imagem: pexels.com – CC0 Public Domain

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Um dia assim, quase sem querer, a gente se pega com um regador na mão regando uma baita pedra.

Parece que já virou costume regar pedras pelo caminho. A gente faz por instinto, costume ou por pura ingenuidade. A gente acredita que dali vai brotar algo, vai nascer folha, fruto, flor.

Então lá se vão litros de tempo e cuidado perdidos com uma pedra. Uma pedra que não deixará de ser pedra. Não, não adianta dizer que a pedra vai crescer, que ela vai ganhar vida e vai virar outra coisa que não ela mesma. Não, não importa o que você faça, a bendita pedra vai ficar ali, assim como estava antes de você chegar, e permanecerá exatamente igual quando você partir.

Um dia a gente tem que olhar para pedra e ser menos poético. Tem que olhar para pedra e ver pedra mesmo. Tem que se enxergar, se tocar e perceber que alguns caminhos não levam a lugar algum. Que algumas pessoas não mudam. Que algumas situações são complicadas e que não dá para resolvê-las sem o apoio do outro.

Um dia a gente tem que colocar na cabeça que há um caminho além das pedras e que ele merece ser priorizado. Que a gente tem que ser cuidadoso com o nosso tempo. Que o nosso tempo é valioso e finito. Que tudo que desprendemos desnecessariamente para regar pedras pode nos fazer falta em algum momento da vida.

A gente tem que aprender, de uma vez por todas, que tem muito chão precisando de água por aí. Que tem muito coração sedento de amor. Que tem muita gente boa ao lado de quem vale a pena caminhar.

Não importa quantos litros desperdiçamos com uma pedra, dela não virá uma única gota para nos saciar se um dia tivermos sede.

Talvez tenha chegado a hora da gente descansar os braços estirados pela rega desnecessária. Talvez tenha chegado o momento da gente guardar os regadores e chover cuidado em tudo aquilo que merece ser efetivamente regado.

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Atribuição da imagem: pexels.com – CC0 Public Domain

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