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Olha Pra Ela

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Ela ainda está do teu lado. É a mesma que te encantou com uma risada estupidamente sedutora. Veja bem. Ainda é ela, por trás das tarefas da vida.

Olha bem pra ela. Assim como a primeira vez. Teus braços ainda são abrigo, mas você se esqueceu disso. O tempo levou os anseios e endureceu as horas. As brincadeiras deixaram de caber no tempo de vocês.

Ei, olha pra ela. Repara em como ela respira enquanto dorme. Em como os cachos dos cabelos caem delicados sobre o rosto. Veja bem, você não reparou, mas já existem nos olhos dela algumas rugas e alguns fios brancos já se escondem em meio a sua bonita cabeleira.

A ingenuidade foi guardada em alguma gaveta e lá ficou, bem dobrada para uma outra vida, mas você nem percebeu.

Olha pra ela. Seus ouvidos ainda anseiam as tuas palavras. Aquelas roucas e doces, capazes de animá-la mesmo diante de grandes dificuldades. As tuas palavras ainda cabem no ouvido dela, perfeitamente, mas você deixou-se calar.

Você esqueceu de tirá-la para dançar no dia do aniversário dela. Deixou de lado as datas bonitas que eram só de vocês. Resolveu balançar a cabeça enquanto ela te contava coisas que, para você, eram bobas. Você ignorou todas as palavras dela e assim, entre vocês, passou a reinar um silêncio tristonho e desconcertante.

Olha, ainda há tempo. Ela procura sempre novas razões para te amar. Ela quer de volta o homem pelo qual se apaixonou. Repara. Todo dia ela levanta determinada a te trazer de volta. Todo dia ela busca te chamar pra perto, mas você não lembra mais daquela sua melhor versão.

Veja bem. Ela te ama, mas tem amado por dois. Tem sonhado acordada com quem um dia você foi. Olha bem. Escuta com carinho as canções que ela ouve no rádio.

Repara nos lábios dela enquanto ela canta as músicas que marcaram a história de vocês. Ela te recita verdades como quem deixa pequenos pedaços de pão pelo caminho.

Ela, por vezes, sonha alto e deseja voltar no tempo para te lembrar bonito, assim como antes, mas você não escuta, você não fala, você não vê.

Olha bem, o amor não se faz sozinho e toda relação precisa de carinho. Enxerga com o coração e nota que ela nunca se sentiu tão sozinha.

É hora. Volta agora. O tempo ainda não acabou.

Olha pra ela.

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Atribuição da imagem: pexels.com – CC0 Public Domain

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Naquele dia ninguém contou à Chapeuzinho sobre o Lobo. Pediram apenas que ela levasse uma cesta cheia de pães até a avó, que morava lá do outro lado da floresta.

O lobo parecia ser alguém interessado em ajudar. Alguém isento de maldades. Foi assim que a chapeuzinho o viu e dessa forma ele a enganou fácil.

Sabem, grande parte de nós caminha pela vida como a “Chapeuzinho”. Desprevenidos, passeamos por aí carregando o melhor de nós até toparmos com algum lobo no meio do caminho.

Vejam bem, confiar não é um erro. Se um outro nos fizer de gato e sapato, o problema de caráter é dele e não nosso. O que é certo é certo e um dia todo lobo dá de cara com algum bom caçador. Calma, eu entendo, às vezes a lei do retorno tarda, mas ela não falha.

O encontro com o lobo mudou a vida da Chapeuzinho. Ela continuou seguindo rumo a casa da avó, mas desde o dia em que conheceu aquele primeiro lobo, ela passou a carregar consigo novas convicções e um punhado de esperteza em cada um dos bolsos. A vida ensina.

Outros lobos vieram. Jogaram conversa fora. Disseram conhecer um outro caminho melhor, mas a Chapeuzinho não caiu na deles. Não, a decisão pelo caminho seria só dela.

Ela não daria atenção aos que lhe fizessem propostas mágicas. Ela sabia que se cedesse à lábia de algum lobo, e confiasse levianamente, poderia prejudicar não só a si, mas também aqueles que a amavam.

Então a Chapeuzinho ouvia o que os lobos tinham a dizer, sorria e continuava em frente. Ela agora era mais responsável e ponderada. Ela sabia que não deveria mudar de percurso ou deixar de visitar à avó pelo que lhe aconteceu no passado. Ela sabia que, à despeito de um certo temor, ela tinha que continuar, passo a passo. Dia após dia. Sempre em frente. Acreditando no melhor, mas de olhos bem abertos.

Ela entendeu que a mais feia das verdades vale mais que a mentira mais bonita. Que, às vezes é preciso que um lobo apareça para a gente acordar e valorizar o que tem de bonito.

A mãe da Chapeuzinho lançou-a na vida desprevenida, confiando em sua boa natureza, mas a avó, entre um gole e outro de café, lembrou-a do lobo sem, no entanto, deixá-la esquecer de que quando foi preciso, a vida sacou da cartola um bom caçador.

A Chapeuzinho aprendeu que nem tudo são flores e que nem tudo são lobos na vida. A Chapeuzinho aprendeu que o caminho do meio é o melhor caminho.

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Atribuição da imagem: pexels.com – CC0 Public Domain

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Estou andando no meio de antigas parreiras. Delicados cachos de uva pendem graciosos por todos os cantos. São uvas Pinot Noir. Dizem que essa é a rainha das uvas tintas. E é verdade, eu concordo. A Pinot Noir é uma uva delicada, que exige muito empenho no cultivo, no entanto, os vinhos feitos dela são os mais misteriosos e perfumados do mundo.

Quando olho para essas parreiras me lembro de você, mas não a vejo como um cacho de uva a ser degustado de pronto, eu te enxergo como um vinho sedoso e suave, capaz de adoçar os mais duros corações.

Moça, nem todos sabem fazer vinho, e bem poucos sabem como cultivar essa uva. Ela é difícil e temperamental. Não se adapta a qualquer solo, não se adapta onde a querem plantar. Ela vai bem onde sente que pode ser exatamente o que é. Você é assim, já reparou?

Eu imagino que no passado muitos devem ter achado essa uva caprichosa demais. Julgaram-na presunçosa por preferir a proximidade com o mar. Acharam-na pouco prática por não poderem plantá-la junto das outras. Mas um dia houve um alguém que a olhou de um jeito diferente e entendeu que ela precisava de outros toques, de novas técnicas, que ela exigia entrega. Que o que era ideal para as outras, não funcionava bem com ela.

Moça, você é a doçura e a insensatez juntas, assim como essa formosa uva e eu que nasci em terras antigas, que vi os que vieram antes de mim fazerem alquimia com o solo, vejo a uva que hoje você é, e o vinho que amanhã será.

A vida me ensinou a transformar a terra, o vento, o sol e a lua em vinho. E é por isso que eu te conto que a poesia da vida está no amor que cuida. Que o amor é soma e transformação. Que só ele é capaz de enxergar o vinho que há em um cacho de uva.

Moça, esquece quem um dia te viu pequena. Quem te listou pelas suas particularidades, dizendo serem ruins. Não dê ouvidos aos que te quiseram efêmera. Busque no mundo quem te ame e transforme em algo melhor.

Mas seja você a primeira a acreditar naquilo que pode ser. Acredite na magia da vida. Na transformação amorosa daqueles que cultivam o solo com amor. Espere o tempo certo. Receba com carinho o sol, a chuva, a luz da lua e o vento. Todos têm sua razão de ser.

Tire das suas raízes forças e não permita que te colham antes do tempo. Cresça com as intempéries, evolua e transforme-se naquilo que você nasceu para ser.

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Atribuição da imagem: pixabay.com – CC0 Public Domain

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Eu diria que nessa vida somos nós e nossos amores e não apenas nós, tão pouco só nossos amores, a compor tudo que somos. Chamo de amores aqui todos aqueles que nos são queridos e amados.

Depois de alguns bons passos, relações fortes e duradouras nos acompanham por onde quer que andemos. Filhos, sobrinhos, cônjuges, amigos de longa data, afilhados. Temos nosso significado intimamente atrelado àqueles que amamos profundamente.

Sabemos que eles são parte efetiva de nossa constituição e eles têm morada cativa em nosso coração. Contudo, por vezes, pode acontecer de aceitarmos em nossa vida pessoas que dizem nos amar, mas que agem diante daqueles que amamos de uma maneira muito peculiar e tendenciosa.

Então, desconsiderando nosso próprio bem-estar, essas novas pessoas passam a menosprezar aqueles que são preciosos para nós.

De repente, sem razão aparente o amor que essas novas pessoas dizem sentir por nós, romântico ou fraternal, não é suficiente para abraçar os nossos. De repente, esse amor pode não ser amor.

Não estou dizendo aqui que aqueles que nos amam devem amar todos que fazem parte do nosso círculo de amizades e parentes. Estou dizendo, de forma específica, que aqueles que nos amam estendem seus laços de amor aos que são importantes para nós. O amor verdadeiro é abrangente. Ele não se limita, rareia ou fica escasso se for além.

Quem assistiu ao belo filme biográfico “A Teoria de Tudo” certamente sabe do que estou falando. Nele o jovem cientista Stephen Hawking se casa com a estudante de humanas Jane Wide após descobrir que tem uma doença degenerativa. Em determinado ponto da história entra na vida do casal, além dos filhos, o professor de música, Jonathan, com quem Jane viria a se casar no futuro.

A relação de Jonathan com Stephen é de respeito e cordialidade. O amor de Jonathan por Jane permite que ele ame tudo que diz respeito ao universo dela, e isso inclui os filhos e até mesmo o marido dela.

O amor real não é restritivo. Não é tendencioso. Não é limitante. Não age de forma a se apropriar do outro. O amor verdadeiro aceita e naturalmente abrange todos que são também queridos para nós.

Se o amor que te propõem é apertado demais. Se nele você não cabe completo. Se existem numerosas condições para que o amor exista, preste atenção, pode ser que não seja amor.

Atribuição da imagem: pixabay.com – CC0 Public Domain.

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Quando perdemos algum ente querido, somos consolados por um número grande de pessoas. Vestimos nossa dor de preto e isso parece anunciar aos demais que lidamos com uma larga perda. Já, os nossos lutos cotidianos, enfrentamo-los silenciosos e, muitas vezes, nem mesmo temos a chance de exteriorizar o quanto estamos sentidos e marcados por dentro.

Esses lutos que acontecem no dia-a-dia comumente se dão sem alardes e quase ninguém aparece com um pote de sopa ou com uma palavra amiga na ponta da língua para nos consolar por causa deles. Apenas os que nos amam de verdade, aqueles que se importam, são capazes disso. Isso porque quem verdadeiramente se importa percebe nossas dores sem que precisemos dizê-las.

Outro dia em um consultório médico, conversando sobre planejamento familiar, explicitei a minha vontade de ter um segundo filho aos quarenta anos. O médico arregalou os olhos e me disse que uma gestação nessa idade era possível sim, contudo exigiria muita atenção, pois meus óvulos não seriam mais tão jovens.

Percebi que o tempo tinha corrido desenfreado frente aos meus olhos. Naquele dia vivi calada o luto pelos filhos biológicos que eu não teria. Um por um, todos esmaeceram frente aos meus olhos e eu senti naquele momento, e por mais alguns dias, a dor de não os ter como um dia sonhei.

Doeu muito, mas não me vesti de preto. Não andei pelas ruas com os olhos inchados. Não tive pesadelos. Tive apenas uma dor no peito. Uma dor silenciosa que foi notada por bem poucos.

Lutos cotidianos não são frescura, não são mimimis, não são supérfluos. Eles doem e sangram emocionalmente como feridas de verdade e precisam de nossa atenção e compreensão para poderem parar de sangrar e cicatrizar.

Eu diria que a dor emocional pode ser comparada à dor física, mas ela não apresenta marcas explícitas, o que muitas vezes faz com que essa dor fique por um longo tempo em nós. Cientistas da Universidade Purdue de Indiana, nos Estados Unidos, afirmam que a dor emocional dói até mais que lesões físicas. E eu concordo com eles.

Certa vez Fabricio Carpinejar disse em um texto seu que a morte de um anseio/expectativa/plano é como um livro de poemas que escrevemos com carinho e dedicação, mas que acabamos perdendo em algum canto.

A morte de um relacionamento, de um sonho, de uma carreira, de uma amizade, de uma expectativa, também é assim, frustrante e inquietante. A morte do que poderia ter sido e não foi é uma morte dolorosa, sem rituais físicos, o que parece tornar a dor em nós ainda maior.

Na vida, aqueles indiferentes a nossa dor, dispensados de qualquer obrigação social pela morte do que não se pode efetivamente ver, recordarão nosso livro de poemas (vide anseios) perdidos e dirão que fomos nós os culpados pela sua perda. Dirão, com um tapa em nossas costas, que nossos poemas (vide sonhos) pouco valiam.

Em contraponto, os que nos amam de verdade, sentarão ao nosso lado, com um punhado de papel branco nas mãos, e dirão, carinhosos, que somos capazes de reescrever nosso sentir tão bem quanto antes e nos lembrarão, com ternura, dos bonitos versos que nunca devemos nos negar a reescrever.

Com o passar dos anos, aprendemos a viver nossas dores e a escutar nossos lutos, mas principalmente, aprendemos que em momentos de fragilidade e dificuldade apenas os que se importam pra valer são capazes de compreender nossas razões e de respeitar nossos silenciosos lutos diários.

Devemos ficar ao lado desses e guardá-los para sempre no melhor de nós.

Atribuição da imagem: pixabay.com – CC0 Public Domain.

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Notei que ela me olhava demorado por trás daquele balcão. Entre um pão e outro ela parava para observar meu semblante. Eu sabia o que viria a seguir. E não demorou muito para que ela perguntasse: “Você não é daqui, não é?

Perdi as contas de quantas vezes ouvi essa pergunta, quase em afirmativa. Também perdi as contas de quantas vezes notei a surpresa no rosto de quem esperava um não no lugar do meu sim.

Então eu disse que tinha nascido ali. Que sempre tinha morado pelas redondezas. Que tinha um sotaque só meu, que aquele era meu jeito particular de falar.

É que eu vivia tempo demais dentro de mim. Conversava muito com meus botões, então parecia que eu vinha de algum outro canto bem diferente.

Olhava o mundo com outros olhos. Com aqueles olhos “estrangeiros” que veem coisas especiais onde os outros comumente enxergam só o cotidiano. Como se eu sempre estivesse a visitar o mundo de fora, levando para dentro o que me encantava.

Um sorriso, uma palavra, um olhar. Levando para mim coisas boas como quem vai ao mar e leva para casa pequeninas conchas.

O mundo é meu mar. Gosto de passear por ele. Estou de passagem, ele não me pertence, tão pouco eu a ele.

Todos os dias eu saio para passear. Gosto de olhar a areia da vida, de brincar de adivinhar o que existe enterrado nela. Adoro a sensação dela sob meus pés. Às vezes, a areia é suave, às vezes, áspera. A vida é assim.

A realidade molda nossos passos, aceita nossa marca nela, mas só por um certo tempo. Daí vêm as ondas e apagam nossos caminhos para nos lembrar que tudo passa.

O sol da vida vira chuva, a chuva vem e deixa tudo cinza, e nos obriga a buscar o melhor em nós. Depois, sem explicação, a chuva vai embora e dá lugar a um novo sol. O sol guarda tanta beleza quanto a chuva. Cada qual têm sua intensidade e seu propósito. A dualidade da vida também vive em nós.

Gosto de guardar as belezas da vida nos bolsos. Eu gosto de olhar, de entender. Vez ou outra paro para olhar o tempo. E o tempo é um príncipe sedutor que olha firme, sem medo. Que nunca tira os olhos de nós. Que nunca deixa de contemplar a nossa beleza efêmera. Ele está sempre ali. Sorrindo para nós. Dizendo que a caminhada é bonita, mas finita. Que somos flores da árvore da vida.

Que de nós virão frutos, carregados de dualidade e de propósito. Dentro e fora. Doce e azedo. Mundo interior e mundo exterior. E quem vive tempo demais no mundo de dentro, vira, como eu, forasteiro, do mundo de fora.

Eu nasci aqui, mas não sou daqui. Sou daqui e de lá. Sou dois.

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Atribuição da imagem: pixabay.com – CC0 Public Domain.

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Toda amizade nasce como um primeiro amor. Aos poucos ela vai tocando carinhosa a nossa vida e quando vemos ela está lá.

Se você pensar bem notará que seus amigos apareceram em sua vida quase sem querer. Que, de certa forma, foi o destino que os colocou pertinho de você.  Que depois de um tempo as afinidades e valores comuns foram fazendo com que vocês se aproximassem em definitivo até que se tornassem amigos.

Mas a vida não coloca apenas bons amigos em nosso caminho. Coloca também pessoas que dizem ser amigas, sem o ser. Pessoas que visam sempre algum tipo de benefício particular com a nossa amizade e que realmente não se importam conosco.

Eu acredito que um amigo antes de mais nada tem que se importar. Tem que ter empatia. Se comprometer de coração. Ser verdadeiro e aceitar que entre duas pessoas inevitavelmente existem diferenças que merecem ser respeitadas. Cada pessoa tem seu limite particular, algo que diz respeito diretamente aos seus valores e isso deve ser preservado em qualquer amizade.

Lembre-se, toda amizade deve resguardar o melhor em nós e não o contrário.

Valorize-se. Sente-se por algum tempo e pense em seus amigos. Pense se eles estão realmente sendo bons amigos. Se a relação entre vocês tem sido de respeito mútuo e consideração.

Eu mesma tive por muitos anos ao meu lado uma pessoa que eu achava ser amiga. Você também deve ter tido uma ou mais pessoas assim por perto. Não é difícil encontrá-las, elas são numerosas e estão em todos os lugares.

Se você se lembrou de alguém, também deve ter se lembrado que essa pessoa te colocou em inúmeras roubadas. Sim, você passou apuros ao lado dessa pessoa e por um bom tempo achou que era o acaso que estava armando contra vocês.

Não, não foi o acaso que armou situações que lhe causaram mal-estar. Se você parar para pensar verá que essa pessoa, que se dizia amiga, repetia um padrão de comportamento nocivo, não só com você, mas com outras pessoas também, agindo de forma imprudente e leviana.

Se você disse em alto e bom tom BASTA provavelmente conseguiu respirar aliviado, mas se essa pessoa ainda estiver por perto, talvez tenha chegado a hora de se afastar, pelo seu próprio bem.

No meu caso, a pessoa que eu achava ser minha amiga parecia ser ponderada e, apesar de alguns deslizes, eu cismava em crer que as coisas saiam erradas quando estávamos juntas por uma questão de má sorte. Demorou, mas eu percebi que a minha má sorte foi acreditar inúmeras vezes em alguém que não sabia o significado da palavra amizade. Ela realmente não se importava comigo. E isso ficou muito claro quando parei e pensei em tudo que tínhamos passado juntas.

Por causa dela eu fiquei doze horas em um saguão de aeroporto bem longe de minha cidade Natal. Fui para um spa de emagrecimento sem precisar emagrecer. Fui deixada a pé há quilômetros de onde estava meu carro. Ela furou com horários e lugares, fez de mim gato e sapato até que um dia eu disse basta e me afastei.

Digo por mim que foi o melhor que eu poderia ter feito. Agi de forma sensata, sem me indispor com ela. Falei sobre minhas impressões e não quis mais sua controversa amizade. Não atendi mais seus telefonemas, não quis mais ouvir falar de suas conturbadas relações amorosas, não aceitei novos convites e só depois de tudo isso fui perceber que incrivelmente longe dessa pessoa as coisas passaram a dar certo.

Proteja sua integridade e ame-se. Talvez tenha chegado o momento de se afastar de quem só te coloca em roubadas. Sua vida vai agradecer, com certeza.

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Atribuição da imagem: pixabay.com – CC0 Public Domain.

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