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respirar

Eu poderia dizer que a gratidão vem do latim “gratia”, que significa graça, ou que vem de “gratus”, que quer dizer agradável, mas para mim a gratidão vem mesmo do coração. Não sou linguista, portanto não sei se existe alguma relação semântica para o que vou dizer, mas acho que a gratidão se liga muito bem ao conceito de “grátis”, aquilo que damos sem exigir nada em troca.

A gratidão é um reconhecimento espontâneo, bem-disposto e não imediato a tudo que nos acontece. É uma resposta otimista que nos faz enxergar mais além.

Aprendi com a vida a ser grata pelo dia de hoje, pois o meu hoje (e o seu) é único, como nenhum outro. Um dia perfeito para novos aprendizados e formas de ver a vida. Também sou grata pelo ontem e por todos ensinamentos do passado que me trouxeram até aqui.

Agradeço pelas pessoas raras que de alguma forma me tocaram profundamente a alma. Pessoas que com carinho e simplicidade tornaram meus dias mais leves. Pessoas que chegaram na hora certa dizendo o que meus ouvidos precisavam ouvir. Pessoas acometidas de uma vontade louca de tornar a vida do outro melhor.

Agradeço pelas pessoas que foram meu paraíso na Terra. Pessoas cujo colo me foram bálsamo e alento. Pessoas diante das quais eu pude, sem constrangimentos, me entregar às lagrimas ou à alegria desmedida, sem parecer queixosa ou exibida por isso.

Agradeço também às pessoas que foram meu inferno. Aquelas que me queimaram com um fogo que angustia. Que me negaram um assento em dias cansativos, pois por conta delas descobri que não podia ficar onde estava. Que Deus guardava outros caminhos mais dignos, mais compensadores e justos para mim.

Agradeço por aqueles que foram profetas em minha vida. Que me apontaram as estrelas mais distantes e disseram que eu poderia alcançá-las. Que disseram das montanhas de onde eu poderia avistar novas e inebriantes possibilidades.

Agradeço às pessoas que me chegaram com palavras de fé e esperança e me devolveram a ânsia de acreditar no melhor. Agradeço às pessoas que me contaram seus pequenos segredos para uma vida feliz, que partilharam comigo impressões, acreditando que eu as ouviria e compreenderia.

Agradeço àqueles que foram meus pequenos milagres. Que seguraram forte minha mão e confiaram que eu tudo podia. Que disseram que eu seria capaz e que nunca duvidaram disso, mesmo quando eu duvidei.

Agradeço aos estranhos que me disseram com poucas palavras o que alguns amigos nunca me disseram em uma vida. E agradeço aos amigos que se tornaram estranhos, pois eu pude entender através deles que eu não queria ser assim também.

Agradeço àqueles que me ajudaram a vencer minhas dificuldades. Àqueles que notaram que eu passava por apuros e me estenderam a mão sem que eu precisasse gritar por socorro. Agradeço àqueles que souberam ler em meus olhos a minha verdade e me ofertaram companhia sincera em dias de sol ou de chuva.

Sou grata por tudo. Pelo que passou, pelo que hoje é e também pelo que virá. Aprendi lendo um livro que eu poderia agradecer não só pelo ontem e pelo hoje, mas também pelo amanhã, na certeza de que ele seria maravilhoso, cheio de bons acontecimentos, lições e pessoas preciosas.

Então, eu que agradecia o ontem e o hoje, passei a agradecer baixinho o dia que ainda não tinha nascido, dizendo: “Deus, obrigada pelo dia que ainda virá, por ele ser tão lindo, cheio de tantas alegrias e aprendizados. Por nele encontrar tudo o que eu preciso para me ver completa e feliz. Por nele ser o melhor que posso ser. Que amanhã eu possa ser o milagre de alguém. Que amanhã minhas palavras possam curar feridas da alma e meus abraços possam aquecer corações feridos. Que amanhã eu não seja fogo ou lixa, mas mar sereno e sem fim para aqueles que anseiam se banhar em águas mansas”.

Assim, a vida foi se fazendo e eu fui compreendendo que a gratidão é a linha que une todos os tempos do nosso viver. Que a gratidão é uma coisa bonita e gentil, um sentimento sincero que mora no peito daqueles que guardam para a vida um jeito bonito de olhá-la, dizê-la e vivê-la.

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Você já deu todos os sinais de que está morrendo de amores por alguém, mas esse alguém não percebe. Você já ligou para perguntar qualquer bobagem. Arranjou as desculpas mais esfarrapadas para estar ao lado dele, mas ele parece que não percebe o quanto você o ama.

Então você resolve que é chegada a hora de se declarar. Que vai dizer tudo que sente. Que não aguenta mais essa situação angustiante. Que vai resolver toda essa história.

Sem demora você marca de encontrar esse alguém e resolve colocar o pingo em todos os “is”. Resolve dizer que está louca de amores por ele. Que pensa nele em todos os momentos do seu dia.

E ele te olha com um olhar angustiado, um olhar pesaroso de alguém que já sabia disso, mas que não queria saber.

Ele te olha com um olhar cheio de tristeza e inquietação, pois não a ama como você gostaria e você o obriga a dizer com todas as letras que você é muito especial, mas que é para ele apenas uma colega.

Talvez vocês não tenham tido tempo suficiente juntos para que ele pudesse te pensar de outra forma.

Então você volta para casa desolada. Se tranca no quarto, chora litros e fica se perguntando onde errou. O que fez para não ter o amor daquele que esteve em seus pensamentos nos últimos tempos. Fica procurando quais defeitos seus são tão sérios para que no amor as coisas não nunca saiam como você sonha.

Ouso dizer aqui que a razão para esses amores não darem em nada, quase sempre, está na falta de intimidade.

Vivemos dias corridos. Dias cheios de pessoas indiferentes, cheios de planos e afazeres. Vivemos tempos nos quais nossa vida particular é escancarada nas redes sociais, mas bem pouco sabemos sobre intimidade.

Pensamos, erroneamente, que intimidade tem a ver com estar nu com um outro entre quatro paredes. Mas apenas isso não indica haver intimidade entre duas pessoas.

A intimidade existe quando podemos ser exatamente quem somos junto do outro, sem ensaios ou expectativas. Quando passamos tempo suficiente ao lado de alguém para poder falar pelos cotovelos ou calar sem que isso mude o que essa pessoa sente por nós. Pelo contrário. Quando temos intimidade com alguém conversamos de forma desprendida e animada por horas. Tecemos com esse alguém, no tempo comum que nos cabe, uma empatia e admiração sobre-humana. Sentimos a necessidade de partilhar tudo que somos.

Se o outro te ama ela vai saber ler no teu olhar tudo o que você sente por ele. Se o outro te ama, tanto quanto você o ama, ele dará um jeito de estar junto. Ele encontrará soluções para diminuir as distâncias. Ele terá entendido na forma como você age o que você sente por ele. Ele terá lido na forma como você vive, o carinho e respeito que você tem por ele.

Se você ama alguém, não se declare achando que suas palavras irão preencher o espaço que apenas a intimidade sincera entre duas pessoas pode ocupar.

Se você o ama e ele também, fique sossegada, as coisas vão acontecer naturalmente e ele vai te amar do jeitinho que você é.

Se não for assim, não era para ser. Siga em frente e ame mais através de olhares demorados e sorrisos abafados e menos através de palavras.

Fale de amor não para convencer ou justificar, mas para reafirmar o que é inegável para quem um dia parou e te observou demorado.

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Pararam em um posto de combustível em meio a uma estrada poeirenta. O amigo desceu do carro e foi comprar cigarros. Ela resolveu esticar as pernas e deixou o olhar vagar pelos amplos espaços que contornavam aquele lugar.

Susana segurou a bolsa com força de encontro ao corpo. Ajeitou os óculos e fugiu sorrateira do sol. Entrou embaixo de uma pequena marquise, nela encontrou sombra e um punhado de bancos enfileirados. Andou mais um pouco e notou que mais à frente havia uma imagem que parecia ser de uma santa, mas não sabia ao certo qual era.

Chegou bem perto da imagem e tocou seu manto. Toda ela parecia coberta com uma fina camada de cera, mas o manto era todo costurado em um tecido pesado e engomado.

Passou as mãos pelos pés da imagem e sem querer tocou os sinos que prendiam a capa da santa. Assustada pelo barulho, deu dois passos para trás e respirou fundo, buscando se acalmar. Fechou os olhos e fez uma oração silenciosa. Abriu os olhos e viu um homem vindo em sua direção.

Ele usava uma camisa de linho amarrotada, uma calça jeans surrada e nos pés calçava uma sandália de couro. Tinha um sorriso encantador e por alguma razão parecia estar ali para falar com ela.

Ele apontou para a imagem e mencionou quase em um sussurro “Nuestra Señora de Guadalupe”.

Ela compreendeu que ele lhe falava o nome da santa. Agradeceu educadamente e virou-se para ir embora.

Ele contou-lhe que se chamava Sebastián e pediu-lhe que ficasse um pouco mais, pois precisava lhe falar algo.

Susana sabia que devia voltar para o carro, mas Sebastián tinha em si uma aura luminosa que a atraía docemente.

Ele lhe falou então que um dia sonhara com a santa e que ela lhe pedia, no sonho, que dissesse algo para quem colocasse lírios sobre seus pés.

Ele achou que isso aconteceria depressa, mas estranhamente todas as vezes em que foi até a imagem, a despeito das inúmeras flores ofertadas, nunca havia um lírio sequer.

Susana ficou sem jeito e se desculpou. Não tinha comprado flores.

Ele afirmou que não era preciso. E assim dizendo chegou bem perto dela, olhou-a nos olhos demorado e encostando em seu ouvido contou-lhe que ao passar as mãos nos pés da “Nuestra Señora” ela tinha depositado sobre eles os lírios um dia sonhados por ele.

Sebastián pediu-lhe que nunca duvidasse da força que tinha em si, que ela seria capaz de vencer as dificuldades e florir até mesmo nos mais inóspitos desertos.

Susana ficou um pouco confusa, deu mais alguns passos no sentido do carro que a esperava e ao olhar uma última vez para Sebastián notou que ele, ao dizer adeus, chamou-lhe pelo nome.

Ao entrar no carro ela contou ao amigo do cigarro que Sebastián adivinhara que se chamava Susana.O amigo perguntou-lhe então, em tom jocoso, se o homem tinha também adivinhado o significado do seu nome.

Susana perguntou-lhe então, curiosa, qual era esse significado, pois nunca ligara para essas coisas.

E o amigo respondeu-lhe sorrindo: lírios, sua boba.

Texto escrito por Vanelli Doratioto – Alcova Moderna

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Ele olhou para Joyce através da chama da fogueira que se avolumava a sua frente. A conversa animada com os amigos deu vez a uma contemplação solitária. Artur admirava Joyce que do outro lado esperava ansiosa pelo irmão que saíra em busca de batatas doces. Elas seriam assadas nas brasas da fogueira assim que as labaredas se acalmassem.

Em sua contemplação Artur percebeu como eram bonitos os olhos daquela moça e como o semblante dela parecia enigmático e sedutor.

Joyce tinha seus vinte e poucos anos e definitivamente tinha algo especial. Como se pudesse hipnotizar o desejo de um homem e torná-lo servo de suas vontades, sem querer.

Na porta de sua casa sempre surgiam ramalhetes de flores e presentes. Alguns vinham com dedicatórias, outros eram de admiradores secretos. Mas a ideia de que ela era deveras desejável não lhe entrava na cabeça. Ela ainda se via como uma menina desastrada, correndo pelos campos com os joelhos esfolados.

Por hora ela não conseguia tirar as batatas da cabeça, mas sem querer deixou-se fisgar por um olhar deveras demorado e sedutor. As bochechas antes rosadas pelo calor do fogo ficaram um pouco mais quentes.

Ela não sabia como retribuir o flerte. Sentia-se desconcertada com qualquer tipo de paquera e na imprecisão do que fazer sempre acabava se perdendo.

No fundo Joyce acreditava que ainda era aquela menina desastrada. Que acabaria se machucando se tentasse dar um passo maior que a perna. Não queria ter os joelhos esfolados também nos caminhos do coração.

Amar não era brincadeira e por hora desejava apenas a certeza do que conhecia: uma batata doce, quente e suculenta, raspada devagar com uma velha colher de prata.

O amor ficaria para depois.

Texto escrito por Vanelli Doratioto – Alcova Moderna

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Ela levantou afoita da cama. Tinha sonhado com alguém que não via há muito tempo.

Bianca lembrou-se do cara do sonho, de um dia ter apertado a mão dele em uma festa de confraternização da faculdade e de ter sentido algo estranho no momento, como se um pequeno choque lhe cingisse a ponta dos dedos.

O nome dele era Bernardo. Usava óculos, tinha um jeito tímido e escondia o riso virando o rosto para a direita ao sorrir. Depois da festa eles se esbarraram algumas vezes nos corredores da faculdade, mas foi só isso.

No sonho Bernardo lhe apareceu e disse que viveriam experiências comuns, mas em tempos diferentes.

Que leriam os mesmos livros, andariam pelas mesmas calçadas, viajariam para os mesmos cantos e cantariam o amor, sem nunca se reencontrarem.

Tudo na vida indicaria que tinham sido feitos um para o outro. Mas viveriam de forma a nunca se tocarem.

Bianca lembrou-se da lenda chinesa de “Akai Ito” ou “fio vermelho do destino”. Nela, deuses amarravam um fio vermelho ao tornozelo de duas pessoas predestinadas.

Ela olhou para seu tornozelo e conseguiu enxergar o barbante vermelho que a prendia a Bernardo.

Bianca por fim compreendeu que nem sempre somos capazes de reconhecer os amores de nossas vidas.

Texto de Vanelli Doratioto – Alcova Moderna

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Olhou para os olhos dele como quem vê a luz do dia depois de uma longa noite de tormenta. Respirou a paz da sua companhia como quem respira o perfume da manhã. E ele lhe sorriu com o coração aberto e convidou-a para entrar.

Lá dentro tudo era branco e parecia vazio. Não havia porta-retratos acenando com saudosas memórias, não se via badulaques, livros ou discos antigos. Apenas uma mesa de centro na sala e um tapete felpudo.

Ele percebeu o espanto nos olhos dela e antes que Lorena se sentisse deslocada, apontou-lhe o chão e pediu que se sentasse.

Conversariam debruçados sobre a mesa. Falariam da vida, dos caminhos trilhados. Diriam do céu do mundo e daquele que nasce dentro do coração do Homem. Contariam de suas pequenas sutilezas. Diriam dos gostos e beberiam devagar as palavras um do outro.

Lorena entendeu. O mundo apinhado que buscava com os olhos existia todo ele dentro de Enrico. Todas as memórias, todos os livros, todos os sonhos e amores estavam vivos atrás daqueles olhos tão lindos. Ele não precisava de coisas que lhe dissessem o que tinha vivido. Ele guardava a vida em si.

A casa não estava vazia. A casa estava repleta dele.

Escrito por Vanelli Doratioto – Alcova Moderna

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O meu coração tem marcas e ranhuras profundas, nas quais bem poucos conseguem enxergar beleza. Mas eu não troco meu coração remendado por qualquer outro. Tão pouco me lamento pelos trincados profundos ou pelas fendas que um dia me doeram fundo na alma.

Coração remendado é artigo único. É artigo precioso em um tempo no qual se atribui um extraordinário valor ao novo.

Cada fenda do meu sentir conta uma história minha, conta um tempo, uma pessoa, uma lição e uma experiência particular. Fendas são cicatrizes que contam de uma vida experimentada, ousada, tentada e vivida.

No Japão, quando objetos de porcelana se quebram, eles são remendados com laca e pó de ouro. Os japoneses acreditam que quando um objeto sofre algum dano, certamente guarda uma bonita história e, por isso, merece ser reparado.

Quando alguns vasos se quebram, eles não perdem seu valor. Pelo contrário, ao serem reparados, eles se tornam únicos e especiais e passam a ter um valor inestimável.

O meu, e o seu coração, tem um valor inestimável. E o ouro que nos remenda, indica que adquirimos um punhado de sabedoria na vida, que desenvolvemos qualidades e superamos falhas. Que estamos, mais uma vez, prontos para recomeçar.

Cuide de seguir em frente com serenidade, dando a si mesmo a chance de encontrar nas trilhas da vida pessoas que se remendaram, se refizeram e se amaram.

Refaça-se quantas vezes for preciso (assim é a vida) e permita-se ver que apenas quem entende a beleza de um coração remendado pode amar e aceitar o outro… bonito como é.

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